1% de novo, mas aqueles 99% do mesmo…

Multiplicamos os meios de propagação dos nossos pensamentos e dos nossos relacionamentos. As circunstancias trazem a evolução e vamos ficando condicionados apenas as barreiras da nossa mente. Contudo, “tudo mudou” mesmo, ou estamos vivendo um ciclo diferente de fazer coisas que existem há um pouco mais de tempo? a bola da vez são os textos no linkedin.

Vamos ao exemplo redundante que você pode começar a rir ao ler este texto: os outrora blogueiros lá do começo dos anos 2000, de ferramentas quase exóticas de publicação e edição de textos e imagens e de uma rede que alimentava-se entre si, sem medir formalmente sua expansão, brigam hoje com todas as técnicas de SEO e de boa escrita para chegar na sua caixa de e-mail quando há textos recomendados para leitura dentro do linkedin e/ou de outras redes.

Turbinados pela consciência (e pelos cursos) da necessidade de construção de uma boa imagem pessoal, do fortalecimento de sua imagem online a fim de gerar reputação para obter maiores e melhores oportunidades de negócio.

Estaria eu fazendo algo diferente deles ao usar o mesmo canal, para dizer coisas relativamente parecidas, ou é apenas um exercício de pensamento pra gente eventualmente chegar a conversar? Responda lá nos comentários 😉

Tem se produzido muito material sobre marketing de conteúdo e a “era da inteligência de dados”, como se não existissem duas coisas chamadas “relações públicas” e “pesquisa”. Damos nomes modernos para metodologias antigas, aprimoradas pelas ferramentas que a evolução cultural e tecnológica nos proporcionou.

Pela necessidade de marcar nossa geração com singularidades, reformamos nomes e reciclamos ideias, refutamos o antigo e criamos uma cultura de altar para o novo. Mas, bem conversadinho, estamos a dizer e fazer as mesmas coisas que as outras gerações faziam: tentando desesperadamente suprir nossas necessidades de estima e realização pessoal, a fim de deixar nossas marcas na história.

ai meu ego - por romolo - é como vejo as pessoas que escrevem no linkedin.
tenho salvo aqui há anos, mas não consegui encontrar o autor, na internet.

Importante frisar que, no exemplo acima citado, não estou cravando em pedra que tudo é a mesma coisa. Apenas procuro tomar uma consciência histórica de que sem um não existiria o outro, e importante para acelerar a escalada da realização de suas necessidades não é apenas aprender e ser especialista no que há de novo, mas entender a sua origem para não acreditar que está num processo de inovação quando talvez esteja apenas andando em círculos.

Toda ferramenta tem seu processo de uso, saturação e “comunização”, no sentido de não impactar com a mesma eficiência do propósito inicial de sua adoção. A próxima geração começa a ocupar postos de trabalho, junta informações antigas para gerar um processo novo, e assim seguiremos.

http://www.keepcalm-o-matic.co.uk/p/keep-calm-and-buy-buy-buy-43/ | é assim que me sinto cada vez que leio alguns textos profissionais, hehe.

Fundamentados nos discursos de “ei, olha eu aqui lindão contando a minha história de sucesso pra você acreditar que pode chegar lá (e ao invés de arregaçar a manga e ir buscar o seu, está inerte lendo textos das histórias dos outros…) / te dando este conselho pra você não seguir, sem contar como que eu realmente aprendi isso e como tenho colocado em prática de fato / te colocando pra ler meu textão só pra no final você ver que criei uma narrativa charmosa e o mais humana que deu pra você atender a minha necessidade, partindo de uma suposta necessidade sua que só eu posso resolver”, o que as “personas profissionais” (ou marcas pessoais, como preferir entender) tem de diferente de um grande varejista colocando anuncio na tv ou no 300 x 250 px do cantinho dos sites? Qual é a inovação da propaganda de rodapé num texto e um banner piscando freneticamente com um clique aqui?

Será que ele é o 1% que muda tudo, ou está nos 99% que estão apenas fazendo panfletagem na esquina digital?

Por isso, se você conseguiu chegar até aqui neste texto marromeno, fica a reflexão, ou uma pequena sugestão, como preferir: Nem sempre o melhor a se fazer é o que todos estão fazendo.

Não podemos viver eternamente como adolescentes em intervalos [recreios?] da escola, caminhando pelo pátio: cada um sentindo-se único e singular, mas todos com o mesmo celular, os mesmos cortes de cabelo, as mesmas personalizações de uniforme, as mesmas gírias e expressões e ainda assim nos vendendo como os diferentões da galáxia. Ou com os mesmos recursos de linguagem para dizer que “eu estou sendo diferente de todo mundo, fazendo o que meio mundo já fez”.

Se você aspira ser “1%”, olhe para dentro de si e veja como os seus “99%” estão sendo preenchidos, como um. Desbloqueando sua mente para sentir-se mais, e partindo daí, encontrar-se num rótulo pessoal ou profissional, independendo se dentro ou fora destes modelos pré-estabelecidos.

A pessoa que não apenas trabalha, mas realiza. A pessoa que não precisa ser satisfeita 100%, mas faz a vida de quem escolheu ter ao seu lado ou ao seu entorno, mais fácil, produtiva ou descomplicada. A pessoa com plena consciência de que a vida é pra frente, mas só se aprende com o que ficou pra trás, sem menosprezos. Assim seguiremos multiplicando nossos pensamentos e nossos meios de propaga-los, tornando o resto apenas o resto.