Aprendizado líquido: investindo tempo no que dura.

As curvas da vida são deliciosas e, ao mesmo tempo, impiedosas. Já reparou?  Não estou falando daquelas que olhamos no espelho, hehe… feche o foco comigo no lado profissional da sua história.

Um dia, uma escolha de carreira. Noutro, uma oportunidade que nem é tudo aquilo que sonhava, mas é o necessário para pagar as contas [sejam as impossíveis de recuar, sejam as que uma boa base financeira e familiar permitiram que você escolhesse] e quando menos esperamos, foram 1, 2, 3 décadas de trajetória.

Independendo o caminho, imagino que houve [como segue acontecendo comigo] um pequeno “fenômeno”: o constante aprendizado. Costumamos tratar aprendizado como o método básico de sentar com outras pessoas numa sala e estar diante da autoridade no assunto que desejamos conhecer.

Mas, do processo atualizado para guardar arquivos à uma especialização superior, todos os instantes temos a oportunidade de nos colocar em evolução. Em tempos tão líquidos, seria o aprendizado a unica coisa sólida em nossas vidas?

Dissolvemos nossas dores e ansiedades em tudo que nos permeia. Relações baseadas no conceito “se não gostou, devolva em 7 dias” tornaram-se inerentes aos ambientes dos quais fazemos parte, e o que fica em constante sobreposição, são os momentos, aos quais também aplicamos esta ideia da fácil descartabilidade, ignorando os igualmente pequenos e cumulativos danos psicológicos que [fazemos de conta que] enfrentamos.

Como podemos dedicar um espaço das nossas vidas para momentos de aprendizado e assim nos tornarmos pessoas [consequentemente, profissionais] melhores? Se me permite, sugestões:

Comece pelo começo. Como você aprende?

Precisa de muito ou pouco tempo? É a partir da leitura, ou com audios e vídeos é mais fácil? É melhor colocando a mão na massa, praticando, ou pode absorver o conteúdo primeiro para depois praticar? Separe o assunto do seu interesse, pesquise pelo conteúdo [a internet não é só Linkedin e demais redes sociais, e o buscador acha conteúdo bacana, não só coisas para comprar :)], e “ache um tempo”.

Ache um tempo para aliviar uma dor, qualquer dor.

Colaboradores impossíveis? Chefe terrível? Manda uma busca em “inteligência emocional”. Aumentar seus rendimentos? Vá atrás de “como vender conteúdo”, “fórmula de lançamento” e “marketing de afiliados”. Muito tempo desempregado e sonhando com a recolocação formal? Vá para “técnicas de entrevista”, “como melhorar o curriculum”, “marketing no linkedin”. E por aí segue…

sabe a expressão “quem quer arranja um tempo, quem não quer, dá uma desculpa”? Então, qual vai ser a sua desculpa para não ser responsável pelo sucesso que almeja ou o fracasso que pretende driblar?

Quais crenças limitantes você se repete enquanto navega pelas mídias sociais ou assistindo noticiários [consumindo conteúdos] que não apresentam nenhuma informação positiva ou útil de fato para o que você tem para viver no seu dia a dia?

Deseje aprender.

Estudar por obrigação fica lá no tempo da escola e faculdade, já foi. Agora que já tem uma profissão e uma carreira, é completamente responsável pelo tamanho do seu sucesso. Por isso, aprendizado é antes de tudo um desejo. Depois, um excercício que começa em entender as pessoas ao seu redor e acaba no “método perfeito” de transformar esse conhecimento em algo produtivo à sua vontade.

Se você ainda está na “fase da obrigação”, sem problemas. Tem conteúdos que não são interessantes, e outros que nos animam. Naqueles, faça o necessário para dominar o conhecimento e obter o resultado obrigatório. Nestes, vá um pouco além do que todo mundo faz, e sacie sua curiosidade. É

nos assuntos que amamos onde geralmente encontramos nossa maior fonte de felicidade [e uma carreira que se não é glamurosa, te deixa em paz]. Mesmo que você esteja pensando em “o que eu gosto não dá dinheiro”, pense mais uma vez. As oportunidades estão onde menos se espera!

Sonhamos “de ponta a ponta”, mas aquilo que você deseja realizar acontece de “frente pra trás”.

Um anseio clássico é o “quero ficar rico”. Geralmente acompanhado de “agora”. Fora loteria ou uma herança inesperada, dinheiro não cai do céu em 24h. Não costumamos pensar no que nos leva de uma ponta à outra… e por isso não conseguimos realizar o que sonhamos. Para isso, precisamos pensar em alguns passos.

Exemplo:

  • Vou ter R$3 mi acumulados, em 10 anos
  • diversifiquei meus investimentos com o dinheiro guardado
  • o dinheiro que está acumulado pode diversificar meus investimentos
  • acumulei dinheiro a partir de economias estratégicas na minha vida
  • zerei minhas dívidas
  • construí meu capital de giro sem depender do financiamento a partir de instituições financeiras
  • fiz meu dinheiro sobrar a partir de economias básicas
  • revisei todas as minhas contas e despesas e avaliei o que era realmente necessário
  • tenho uma condição que me garante dinheiro mensalmente
  • tenho (insira a habilidade) para me ocupar em ganhar dinheiro (insira o formato de tempo) com ela.

Ou seja, pensar primeiro no objetivo, e torná-lo factível: Quero (um objetivo) em (quantidade de tempo).

Depois, olhar novamente para esse tempo, e quebrá-lo em partes menores. 10 anos são 120 meses, aproximadamente 523 semanas, 3.654 dias… são várias etapas que exigem algumas habilidades pontuais e específicas. Só tem um jeito de dominá-las: aprendendo! E preencher todo esse espaço com uma aspiração que só nós podemos buscar parece um propósito e tanto, não?

Qual é o motivo pelo qual você faz o que vive?

Propósito está entre as coisas sólidas de uma vida líquida. Não falo de aspirações “missuniversiais” [ser feliz, ter paz, não passar dificuldade], mas da pequena centelha que te faz desligar o enésimo soneca do smartphone e conduzir seus dias, seja numa rotina medíocre ou num projeto que faz o coração ficar quentinho. Repare que a pergunta é destinada a você. Se for pra culpar os outros… pensa melhor.

Reitero: para nos manter em constante aprendizado [e praticando-o], é preciso acima de tudo, uma escolha. A escolha de querer estar melhor pra si, depois para tudo que se vive, colocando a necessidade de validação social no tamanho e espaço certo que precisa ocupar em sua vida.

Em um momento onde nada parece ser feito para durar, apenas nossas escolhas, desejos e aspirações, são permanentes. E delas não podemos tratar com liquidez.

Tudo bem mudar de gosto, de profissão, de relacionamento, o nivel de proximidade com parentes… é da vida. Mas, se não investirmos tempo no que realmente dura, seremos apenas caixinhas na prateleira da vida dos outros, da história dos outros… na empresa dos outros. Absolutamente substituíveis.

E completamente vitimizados pelas curvas que a vida faz, ao invés de estar sentadinho no banco do motorista, do carro que você escolheu dirigir, que custou o quanto você quis pagar, porque fez por onde. O que você vai buscar para durar?

Demais imagens do post, pela ordem: