marketing digital e seus exageros

Coisas para NÃO fazer em marketing digital

Só tem uma coisa mais legal que estudar todas as regras, planos e modelos vendidos / atualizados sobre marketing digital – que virou profissão, mas deixarei fora da lista a seguir o profissional que se apresenta como “eu sou mkt digital”, heheh – listar as coisas que me incomodam na maneira como é trabalhado nos agora atuais, mas logo ali obsoletos, 2017.

  • Não precisa ficar “abrasileirando” termos em inglês e tentando construir autoridade de tudo quanto é like pra ver se vende mais / melhor. Amiguinho e amiguinha, se você fica dizendo que é melhor do mundo na sua área e repete isso muitas vezes, e que a bola da vez não é fazer o tradicional e caro, pára de se comportar exatamente como quem ficou caro, tradicional [e, cof cof, obsoleto].
  • A trilha no meio da trilha. Confesso um nojinho por trilhas de e-mail que mandam conteúdos e em parte – ou todo ele – repetem o envio [convites para downloads] que obrigam a… colocar o e-mail novamente e voltar pra [uma] trilha [que não te agrega mais]. Não sei se é só incoerência ou há incompetência mesmo, de desenhar trilhas únicas e tornar a experiência de quem troca sua caixa de entrada por conhecimento, mais fidedigna. Não custa multiplicar / duplicar posts para que fiquem dentro duma trilha só, e deixar um conteúdo unico rankeando no SEO. Só vontade de fazer diferente [e melhor] mesmo.

 Tim Ferris e a nova meca em formato de livro sobre como mudar tudo. Somado à “fórmula de lançamento” e todos os seus derivados / similares, aprenda a ficar rico. Exceto se você não for covarde. Depois de “pai rico pai pobre”, “quem mexeu no meu queijo”, “como influenciar pessoas”, da série “(insira personagem) inteligentes enriquecem juntos”, temos Tim Ferris e a nova meca em formato de livro sobre como mudar tudo. Somado à “fórmula de lançamento” e todos os seus derivados / similares, aprenda a ficar rico. Exceto se você não for covarde. Ou se precisa de mais livros como esse para reforçar suas crenças restritivas e se manter trancadinho numa rotina.

  • Construir autoridade baseado na expectativa, e não na competência. Tem muito infoproduto no ar, me sinto num grande polishop dentro das mídias sociais [e isso que sei como driblar todas as mecânicas de propaganda baseada na navegação]. Gatilhos mentais que adornam mensagens pobres, listas [com o famoso a melhor é a n ºX] que dizem nada com coisa alguma, exagero no senso de urgência e cases tão verdadeiros quanto notas de 3… tratam o consumidor do material como tão bobo quanto eram as propagandas de TV há 20 anos. Com a diferença que os mesmos 5 minutos que ele gasta tentando entender se aquilo realmente vai ajudá-lo, também coloca em pesquisas relativamente simples que desconstroem qualquer tentativa de consolidação como modelo de referência.
  • Entrar no circulo vicioso de colocar mais dinheiro, vender mais, deixar um produto rodando sozinho, e vê-lo quebrar em questão de pouquissimos anos. Você quebra junto pela ganância. E quem te vendeu a fórmula? Vai usar um gatilho mental que aprendeu com ele e vai sumir da sua vida, pegando outros empreendedores sonhando com os mesmos números gigantes que não mostram a realidade, cercados por uma comercialização em modo pirâmide que some da mesma maneira que apareceu: do nada.
você hoje é um case. mas também é um status / stories. em 24h, puf.
você hoje é um case. mas também é um status / stories. em 24h, puf.
  • Menosprezar ou mostrar um meio de tornar uma etapa de trabalho anterior ou prévia ao seu, gratuito. Ou confundir a construção de autoridade, empatia, e o fornecimento de conhecimento / conteúdo / valor gratuito, com a criação de uma oferta irresistível baseada apenas no seu modelo de negócio. Ensina o seu capturado no funil a fazer alguma coisa de graça, faz parte! Mas não deixa de explicar que fundar castelos sem base não levam ninguém a lugar algum. Explica que fazer por conta é uma opção quando há pouco dinheiro pra investir, mas não que é o único [ou o melhor] jeito de fazer. Faz a sua parte para não manter um sistema doentio de demanda e consumo baseada apenas no preço, e não no valor. Pois o que é pago, hoje, pode ficar de graça amanhã. E ai, quem [também] dança? Sim, o seu slogan e tudo o mais que você ficou construindo.

 

O meio digital nos permite um sem número de experimentos e [re]conhecimentos de planos, táticas e estratégias de marketing. Estamos num primeiro ciclo de amadurecimento onde, além de aprender, colocamos na prática o que consumimos.

Mas, vejo que os maiores pecados ainda residem não no novo, e sim na mais antiga das práticas à disposição: na ânsia do P de propagação, o P de propaganda é muito, muito, muito ruim. Desde o mau uso dos meios, até mensagens mais voltadas à expectativa de como as personas destes infoprodutos sejam, versus o que realmente são.

vamos fazer e refazer até quando?

A autopromoção confundida com construção de autoridade cria uma pequena distorção na mensagem no médio prazo, e a amnésia patrocinada no longo. Sempre reconheço quem mais fala sobre um assunto, mas fica cada vez mais difícil prestar atenção no que dizem.

Pois estão embalando em ondas da vez, a mesma mensagem: olhe pra mim, consuma de mim, compre comigo. Sem agregar valor.

Sem planejar e planificar essa mensagem pensando em todas as etapas que as personas que já fazem parte de uma base, venham a ter.

Outro fenômeno curioso da multiplicação de autoridades e de influenciadores em todas as mídias [com uso mais corporativo / profissional] é como seus crescimentos orgânicos se dão muito mais pela pegada “messiânica / de auto ajuda” do que por um conteúdo de valor técnico [leia-se: uma maneira mais leve de compartilhar conhecimento profissional, construindo autoridade a partir de valor intrínseco].

Fico na dúvida se é um sintoma de que o desespero de uma vida corporativa é tão grande para estarmos nos agarrando a quaisquer palavras de [termo que cada vez faz mais sentido] auto-ajuda, ou se simplesmente nossa cultura é fã de falar da necessidade da fé que move montanhas, mas seguimos como postes para energia: fincados num ponto, a espera do próximo fio a nos manter em inércia, “com um papel importante”.

enquanto todo mundo fizer zig, faça zag.

Enfim, marketing digital é uma delicia de estudar, de entender, e compartilhar. É o presente e a base do futuro do relacionamento entre pessoas e marcas, marcas-pessoas e pessoas, e pessoas-marcas com pessoas. Mas pouco vai funcionar se você aprender para continuar fazendo zig. Misture tudo que funciona e faça zag.

Imagens deste post (pela ordem)
Luis Quiles: http://www.dn.pt/artes/interior/artista-retrata-a-sociedade-com-ilustracoes-que-estao-a-dar-polemica-veja-porque-4298470.html
Trabalhe 4 horas por semana: http://www.livrosdemarketing.com.br/administracao/review-resumo-livro-trabalhe-4-horas-por-semana/
Instagram stories: http://comunicadores.info/2016/10/30/agora-voce-ja-pode-agendar-e-publicar-os-stories-do-instagram-saiba-como/
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