Ctrl + s em você.

Há uma série de coisas que fazemos no automático, certo?

Um dos automatismos que me “pegou” dia desses foi abrir o Photoshop depois de uma atualização na minha máquina. A tela de abertura celebrava os 25 anos de criação do programa, o que me lembrou que uso esta ferramenta desde 2003, ainda na sua versão 7.0.

Além de ser um software incrível, “quase um verbo” tanto em português quanto em inglês, e ter transformado a forma como design gráfico é feito desde os anos 90, me remeteu à transformação do conceito de boas imagens, que todos fazemos.

Desde 2008, vivemos uma segunda revolução “da imagem” com o transporte de uma “boa” câmera em nossos bolsos diturnamente, e sempre estamos a um clique de materializar aquilo que olhamos, mesmo sem ter enxergado.

As mídias sociais potencializaram nossa agucidade visual e, de memes à paus de selfie, chegando aos mini-drones em capas para smartphone, aceleramos alguns passos da tecnologia e da velocidade da internet, para nos mantermos com tudo que é visual, na palma das mãos.

Para alguns, tem a ver com pixels, formatos, resoluções. Para outros, enquadramento, cores, texturas. Para todos, mensagens, sensações, sentimentos.

Qual é o sentimento que a sua imagem passa?

Pegue um daqueles momentos de ócio [também conhecido como aqueles onde tiramos o celular do bolso e você, por exemplo, caiu nesse texto aqui], e dê uma olhada para as suas imagens de perfil, em todas as mídias sociais que utiliza.

Quais verdades elas contam sobre quem você é? Quais mensagens elas efetivamente passam? É a mesma em todos os locais, ou para cada rede, no mesmo celular, diferentes personas, flexionadas às regras básicas de “ser mais do mesmo”?

E o quão alinhada sua imagem está com quem você é de verdade?

Leia aqui “de verdade” como quem lê “seus valores incondicionais”. Com aquilo que faz sua natureza vibrar. Com o somatório de coisas que te inspiram positivamente a viver tudo o que vive.  E aí?

Aqui, um avatar desenhado de punho, e depois digitalmente, é a tradução de quem desde 2002 faz o que ama, ama o que faz, sempre batalhando para realizar dos desejos mais básicos aos grandes sonhos. Se por um lado transparece minha semi aversão às selfies [no caso, uma mera falta de costume. Não há um ódio ou desgosto por elas :)], por outro é, de cara [trocadilho não intencional], expor que gosto muito do meu trabalho.

E qual é a imagem que você está construindo?

Congelamos frames e pixels, em palavras e imagens. Contudo, em cada postagem, em cada like, em cada reclamação, em cada expressão de felicidade genuína ou aquelas que só os filtros do instagram ou os stickers de um status / stories, que nem sempre se alinham com um dia a dia agitado, transito caótico, relacionamento conturbado; e-mails não tão simpáticos e feedbacks ao vivo não tão amistosos ou serenos/sorridentes/com cara de verão como aquele perfil maroto e campeão daqui… estamos construindo nossa verdadeira imagem.

Aquela, que define se você vai ser ou não indicado quando precisarem de um especialista na sua área.

Aquela, que assim como nos apps de relacionamento, pode ser flipada para a direita ou a esquerda da pilha de e-mails e curriculuns, se você está pensando em carreira.

Aquela, que sempre virá com um asterisco digital, ou real, das conversas ao pé do ouvido ou o e-mail mais além para @ amig@, pedindo para te evitar, ou para não fechar negócios com você/sua empresa.

Num ambiente de tantos julgamentos, nossos e para nós, como ser único?

A vida não tem photoshop, filtros, adesivos, muito menos conseguimos recortar em segundos para durar 24h. Tal e qual os dispositivos onde produzimos tudo isso, estamos sujeitos à obsolência programada. Contudo, temos nossos service packs, nossas atualizações, nossas versões, nosso pacote de aplicativos e especificações que nos permitem ser mais que “todo mundo”.

Não estamos congelados a frases feitas, aos clichês das “soluções inovadoras e disruptivas” [arrghh!], aos textos de constante autopromoção, a parecer sem ser.

Acredito que ser único é não tornar-se vítima das imagens que congela de si, e permitir-se a constante evolução, seja para aprender, para ser um profissional mais extenso, e para absorver que networking não é tornar-se uma vitrine.

Na indiscutível tentação de nos tornarmos uma versão fotoshopada, com imperfeições escondidas ou reduzidas, nada é mais diferencial e singular do que desnudar-se de alguns sensos comuns e, fazendo como os fora de série, tornar-se o melhor de si.

Imagens utilizadas, pela ordem:

  1. http://www.news18.com/news/tech/1990-2015-evolution-of-adobe-photoshop-the-software-synonymous-with-image-editing-968279.html
  2. As minhas, de http://portifa.tzaum.com
  3. https://www.pexels.com/photo/reflection-chess-mirror-confident-85040/

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