desperte o micreiro que há em você.

micreiro! Aposto um power ranger de camelô na prateleira da loja de R$1,99 com você que tinha DÉCADA que você não lia este termo, certo?

Mas, se não faz ideia do que estou falando, sem problemas: micreiros são as pessoas que, de forma autodidata, absorvem todos os conhecimentos necessários para lidar técnica e operacionalmente com aplicativos e aplicações em computador. [Chegados a partir de 1998, adendo: os computadores eram chamados de microcomputadores. Por isso a flexão para micreiros!]

O termo é consagrado no mercado de design, rendendo discussões e textos das mais variadas quantidades e qualidades, sobre o tamanho do mercado que ocupam, com quem concorrem, etcs. Uma birra unilateral, encampada pelos mais ilustres incompetentes diplomados. Transfira para sua  área profissional, e tá lá alguém reclamando que perde oportunidades para gente menos qualificada… apenas em outro rótulo [sobrinhos, amadores, não formados, etc]. Mas não é sobre isso que quero conversar com você aí, do outro lado da telinha.

Quero abordar aqui a essência da micreiragem. Ou seja: micreiro é o tipo de pessoa que não sossega enquanto não aprende o que precisa e quer. Comprava o cd executável na banca, devorava os tutoriais das revistas, e hoje, multiplica likes e views no youtube com os tutoriais para quase tudo que é possivel de arrumar ou desarrumar, fazer ou desfazer. Faz a alegria de quem [se] vende a partir de fórmulas de lançamento ou outra mecânica de marketing de replicação, que vende cursos para ensinar as pessoas a venderem cursos, “desbloqueando todo o seu potencial e alavancando suas vendas a partir das mídias digitais e internet”.

Por isso, reafirmo: desperte o micreiro que há em você.

Ninguém escolhe uma profissão como quem pede um fast-food. Tateamos como amadores, e se a profissão sonhada utiliza recursos tecnológicos, vamos hackeando uma coisa ali, assistindo um curso aqui, pesquisando na internet como faz isso, o que significa aquilo, olhamos de longe os profissionais formados, os consagrados, ou visitamos a feira de profissões e, de aprendizado em aprendizado, vamos recheando nossos perfis no Linkedin com cada curso aprendido, com cada textão tentado, com os feedbacks e networkings construídos conforme os top voices indicam.

É importante nunca perder o interesse em aprender. Nunca aceitar que sua experiência é garantia de carreira, estabilidade ou mar tranquilo no local onde está, ou no segmento que performa. Revisite sua história, os primeiros dias de emprego, de faculdade, os horários para sentar e ler ou asssitir aquela aula terrível, impossível de compreender sem qualquer recurso adicional.

Esqueça um pouco do noticiário, cada vez mais voltado para te prender numa gaiola de negativismo e descrença. Desconecte-se de todo elo virtual que te afaste dos seus objetivos mais íntimos. Volte seus olhos e suas horas [sabe aquelas onde você fica preso no trânsito e pode, por exemplo, fazer um curso ao invés de ouvir o noticiário repetir o quão preso ali você está?] para colocar 1% a mais de melhora em sua vida. E nem precisa ser no campo profissional. Todos temos uma gaveta com tranqueira sobrando, seja no armário, seja no cérebro. Faça a limpa e deixe o micreiro emergir.

O micreiro sempre está um interesse mais próximo de tornar-se o profissional fora de série. O micreiro é o amador teimoso, o ser com eterna alma de estagiário, o que vende mais do que sabe, mas faz muito mais do que quem [às vezes] se vende.  E sempre, sempre, sempre, está aprendendo algo novo.

Seja curioso como um micreiro.

Seja aprendiz como um micreiro.

Seja profissional como um micreiro.

E dê risada de quem ainda acha que é só seguir algumas convenções para chegar… na mediocridade. O mercado tem prateleira para todo mundo e cada um olha em uma altura dele. Se você não é visto na prateleira mais alta, não espere o mercado ter pena e olhar para você. Suba as prateleiras, ou as faça você mesmo. Como um bom micreiro….

 

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