La panfletagem sin papel*

Na grande avenida digital que é o Linkedin, passamos por vários pontos interessantes. Os posts de “gente como a gente”, que racionalizam seu dia a dia, que têm coisas relevantes à dizer, sem necessariamente traduzir isso na sua transformação em um produto digital à venda.

As grandes salas dos influenciadores, personas e personagens com um grande número de seguidores. Aquela chuva de likes maravilhosa, comentários em profusão, debates rasos sobre temas profundos e vice-versa.

Entre eles [quando não o são], os panfleteiros.

Tenho certeza que você já topou com um rei da panfletagem. Sabe aquele texto despretensioso, com uma histórinha lindinha, que tem um linkzinho aqui e acolá? Aqueles posts que batalham semanalmente para entrar no radar e ganhar sua caixa de email [com algumas figurinhas até já marcadas]?

Te desafio a encontrar qual deles [exceto os que já eram CTRL+V de máterias de jornais ou revistas] que não sejam vendas disfarçadas de conteúdo.

Pois é… é o panfleteiro virtual à solta na sua timeline.

Não que eu tenha algo contra, acredito que todos precisam do seu lugar ao sol, e a profusão de cursos de “marketing disso”, “conteúdo digital daquilo”, “revolução do clichêzinho”, é sinal de que existe mercado e demanda para o sem-número de especialistas em te ensinar a escrever melhor e, depois, fazer você pensar que a melhor coisa do mundo é vender curso que vai ensinar outras pessoas a produzirem conteúdo para depois venderem mais cursos… é bacana.

Reflete que não fomos ensinados à escrever bem [a simples capacidade de passar uma mensagem] desde os tempos de escola? Sim.

Reflete que, talvez, muita gente queira aparecer, mas não tenha a menor ideia do que realmente deseja ser? Também.

Mas acima de tudo, é um aproveitamento estratégico de oportunidades que sempre estiveram aí, desde que o primeiro byte juntou-se com outros bytes e formou esta grande avenida azul-tom-entre-twitter-e-facebook.

Não foi anteontem que alguém entendeu que desenhar uma boa imagem pessoal, e tentar transmiti-la para outra[s] imagem[ns] padrão, é um negócio que pode vir a ser lucrativo.

Como você está aproveitando esta oportunidade? Será que você também não anda praticando panfletagem sem papel?

Repare bem na imagem que você está construindo, se não anda tentando pelo custo mais simplório “ser e aparecer” na internet. Pergunte a si, se realmente você precisa ser uma sub-celebridade profissional para alcançar a satisfação pessoal que faz seu coração ficar quentinho [geralmente, não!], os boletos ficarem pagos e os demais sonhos serem concretizados.

Faça as ferramentas trabalharem para você, e não o contrário

Antes de mais nada, tenha um propósito pessoal forte. Ele vai te gerar uma ideia profissional sólida. Queira o que você realmente quer, e não o que os outros aparentam ter. Depois disso, esteja na internet para conversar.

O mundo offline já é cheio de “zé palestrinhas”, que ao subir em suas titulações de especialistas, tentam nos vender as verdades mais completas e [muitas vezes, desconexas] sobre o assunto que dominam, seja na imposição de opiniões, seja vendendo infoprodutos. Repare que estão fazendo online a mesmíssima coisa.

E quando a maior parte das pessoas só tenta vender suas opiniões, como vamos nos relacionar? Como vamos conseguir trocar habilidades [sejam umas pelas outras, seja por dinheiro] e, tentando viver nosso propósito, obteremos sucesso? Isto acaba gerando uma espiral de “comunicação esquisita”:

Ou seja, acabamos transformando a comunicação numa ponte de convêniencias, e não numa ferramenta de negócios [importante frisar: ela é mais que isso].Exatamente como as grandes empresas fazem, e você vez ou outra critica quando um produto ou serviço que prestam, não funciona. A diferença entre você e as grandes marcas é que elas seguirão despejando bilhões de dinheiros para que você e novos clientes não esqueçam dela. Já a sua panfletagem, dificilmente terá uma 2ª chance para chamar atenção. 

Logo, se você quer alcançar um objetivo ao promover-se nas mídias sociais, deixe que elas trabalhem para você estimulando conversas, relacionamentos, interações minimamente construitivas ou positivas.

E assim, você vai promover o seu eu profissional, e não apenas uma imagem ou uma aspiração sua (ou uma versão fantasiosa, que não se sustenta nas ações práticas, a partir do uso de storytelling).

Organize seu perfil no Linkedin de uma forma que a mensagem que você quer passar [recolocação profissional, estar apto a trabalhos remotos / freelance, impulsionar seu negócio próprio seja com uma marca pessoal ou marca corporativa] seja clara e transparente.

Alinhe seu conteúdo (postagens, artigos, comentários e curtidas em outras postagens) com o objetivo que você realmente deseja alcançar a partir deste canal.

Aprenda a escrever de uma forma onde sua mensagem seja passada de maneira agradável. Sim, abrace-se em um dos inúmeros cursos que existem, ou estude por contra própria [a internet tá aí pra isso, né gente!]. Apenas não passe a acreditar que seu propósito é tornar-se igual a pessoa com a qual aprendeu / comprou cursos, do contrário, logo todos terão o mesmo diferencial e nada novo para dizer, fazer, vender…

Converse antes de vender. Venda aquilo que você também compraria, e não da forma como você também não compra.

Assim, você não só vai querer algo, vai viver todos os dias esse objetivo, até que ele seja alcançado, e você comece a sonhar sonhos novos.Aliás: converse sempre.

A comunicação, verbal ou não, ainda é a melhor forma de convencimento. Dê a ela o nome que quiser: marketing de conteúdo, marketing de influência, marketing de [insira o sobrenome bonitinho], publicidade, propaganda, personal branding.

Se panfletar fosse a melhor forma de comunicar, seria ela a mídia dominante do mercado [e está longe de ser]. Não estamos aqui [nesta rede social] para trocar panfletos… vamos conversar?

*peguei você, né, fã de la casa de papelHehe… cadê a referência à série?

Simples, querido leitor:

  1. Não se é um professor da própria carreira sem planejamento, seleção cuidadosa de parceiros e visão clara dos cenários que deseja alcançar;
  2. Não se compra, vende (ou rouba) sem uma boa capacidade de negociação. E mesmo onde der errado, tem coisa para aprender;
  3. Não fazer aquilo que não gosta que façam com você;
  4. Não se autosabotar, ou pedir para os outros coisas que você mesmo é incapaz de cumprir;
  5. Bons líderes (boas referências) são exímios comunicadores;
  6. E, especialmente: sua carreira não é uma maratona de episódios em streaming. Está mais para um livro de vários capítulos, que tem hora certa para acabar, mesmo que a gente não saiba onde está esse relógio. E se escreve página a página, com coerência entre todas as partes, para vê-lo um best-seller, seja pra si, seja pro mundo.

Imagens do post (que não foram criadas por mim):