publicidade: arte ou artesanato?

Um senhor muito famoso da publicidade disse uma vez que ela não é arte, é artesanato. Estico a frase para os demais serviços que se dispõem a apresentar “coisinhas de ver” para consumidores e profissionais e dou minha resposta sem pretensão: a publicidade é arte ou artesanato?

é artesanato.

Oceanos de links de inspiração brotam diariamente na timeline do twitter, somam-se aos do GReader. Garimpando entre eles achamos portfólios lindos, com trabalhos de fazer cair o queixo de qualquer outra pessoa que não tem as madrugadas livres para fazer materiais tão ricos visualmente.

Profissionais de todas as idades e todos os portes de empresas e/ou tempo de freelancers trocam figurinhas nos fffounds, behances e devianart´s da vida e assim é gostoso ver que:

  • [1] o trabalho com artes visuais é riquíssimo; e
  • [2] sempre vai ter alguém pra te inspirar a fazer melhor [ou te brochar] quando você achar que é um profi foda. Enfim, é arte para desbundar os olhos o dia inteirinho.

Mas ao passear por estes links, por estes portifas, dá uma sensação estranha… são lindos, ok. São reais, para clientes reais? Alguns provavelmente, ok. Deram resultado? Foram aprovados? Resolveram o problema do cliente ou são [apenas] perfeitos para arrancar elogios da galera nos respectivos sites para estes trampos? Hmmm…

artesanato
fonte: https://br.pinterest.com/pin/477029785513272759/

É aqui que os trabalhos fazem aquela curva entre o que os profissionais queriam e o cliente aprovou.

entre o que é lindo entre profissionais, e o que é lindo para o mercado. entre o que apareceu para o público-alvo, e o que não saiu da respectiva página na web.

Temos uma péssima mania de medir o alcance dos nossos atos somente pela proporção que enxergamos, e daí criamos para nós [e nossos egos] um mundo globalizado repleto de verdades que nem é tão grande assim. Aliás, nem passa de uma aldeia, mas isso é assunto pra outra hora.

E é assim que encontramos uma curva no mercado entre comunicação que resolve e comunicação que ocupa espaço; entre sites que ficam lindos num imac 24’’ e paginas que não carregam num pctv positivo, “este objeto (shockwave flash) não está respondendo”.

Por extensão, uma curva entre profissionais que resolvem e profissionais que só ocupam espaço; entre empresas que resolvem, e aquelas que se propõem a fazer tudo e não são nada. Pois há muita comunicação-arte, projeto-arte, design-arte, site-arte, etc., projetos realmente inspiradores, mas que acabam em si mesmos.

Não vendem nada, não comunicam muito, e, olha que incrível, não resolvem o problema de quem os contrata, gerando dupla frustração: em você, profissional deprimido por achar que não faz o que gosta / não gosta do que faz [e passa a fazer as coisas com má-vontade], e no cliente, que continua cumprindo tabela quando o assunto é comunicar, relacionar, ser relevante, fazer diferença, vender mais, estar melhor na vida de seus consumidores.

arte
fonte; https://br.pinterest.com/pin/620370917390903643/

Fica a dica: sejamos um pouco menos artistas, vamos ser artesões.
Arte, ainda que seja culturalmente rica, é para poucos. Poucos que não conversam, só comunicam, com muitos; não fazem tanta diferença assim [mesmo que emocione, enriqueça, distraia]. Você expõe, ganha aplausos, corre o risco de ganhar dinheiro, e fica com o ego em paz.

Para quem não sabe, ou não consegue lembrar sobre artesanato, por mais simplório que pareça ser, sempre tem um lugar pra ele ficar lindo: da parede da casa da sua avó até o apê europeu daquela celebridade chiquetê. E tem sempre alguém, em toda santa feirinha, disposto a comprar uma dessas de você.

Sempre vão conversar a respeito delas. Sempre vão atrás de mais delas. Presenteiam, discutem, se emocionam, até aprendem a fazer, pois de alguma forma atendem aos anseios das pessoas, dos mais variados tipos de idades, personalidades e bolsos. É provável que nem saibam quem fez? Sim. Mas não vão esquecer do benefício, físico ou emocional, que o objeto proporcionou. As vezes dá vergonha expor? Claro! Mas sempre vai ter alguém pra gostar disso, esteja certo.

Qualquer semelhança desse artesanato com os perfis de problemas que as empresas vêm buscar dos profissionais de marketing, branding, design e comunicação, nas agências e com freelancers, não é mera coincidência.